Dona Irene sempre teve orgulho de sua independência. Aos 74 anos, ela ainda fazia questão de ir à feira sozinha, escolher os temperos pelo cheiro e ler as receitas de família sem precisar de ajuda. No entanto, nos últimos meses, as cores das frutas pareciam ter perdido o brilho. O amarelo vibrante do maracujá estava pálido e as letras do seu livro de cabeceira pareciam dançar sob uma névoa persistente. Ela, como muitos de sua geração, suspirou e pensou: “É a idade chegando, não há o que fazer”. Esse é um dos mitos mais perigosos que enfrentamos no consultório.
A ideia de que envelhecer é sinônimo de aceitar a escuridão ou o embaçamento priva milhares de idosos de uma qualidade de vida que a medicina moderna já consegue devolver. O envelhecimento ocular é um processo natural, mas a perda funcional da visão não deveria ser encarada como uma sentença inevitável. Quando recebi Irene para um check-up, percebi que o problema dela não era apenas uma atualização nos óculos de grau para tratar a presbiopia. Ela apresentava o início de uma catarata e uma alteração sutil na pressão intraocular. O grande perigo de doenças como o glaucoma e a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é que elas são silenciosas.
Elas não batem à porta com dor; elas agem como ladrões furtivos, roubando pedaços do campo visual ou a nitidez central de forma tão gradual que o cérebro se adapta ao prejuízo até que seja tarde demais. A avaliação da acuidade visual em pacientes na terceira idade vai muito além de ler letras em uma tabela. Envolve entender como aquela pessoa navega no mundo. Um idoso que não enxerga bem o contraste do degrau de uma calçada corre um risco altíssimo de quedas e fraturas de fêmur, eventos que mudam drasticamente o curso de uma vida saudável. Durante a consulta, realizamos o mapeamento de retina e a tonometria.
Expliquei para ela que a catarata, hoje, é resolvida com uma cirurgia refrativa de alta tecnologia, onde substituímos o cristalino opaco por uma lente intraocular personalizada. Não é apenas sobre “ver melhor”, é sobre recuperar a autonomia. Muitas vezes, a família nota que o idoso está ficando mais calado ou isolado. O que parece ser um início de depressão ou declínio cognitivo pode ser, na verdade, a frustração de não conseguir mais reconhecer o rosto dos netos ou acompanhar o filme na TV. A saúde ocular é o fio que nos mantém conectados ao convívio social. Onde fazer cirurgia de glaucoma rio de janeiro